Armário cápsula Elsewhere


Elsewhere é uma marca de Los Angeles de estilo básico e prático. Para a marca as roupas são algo especial, devendo ser tratadas com cuidado. O processo de criação é lento e sustentável, com poucas roupas por coleção. Como o estilo é básico dá para reproduzir diferentes estilos e ocasiões com uma mesma peça. Isso me lembrou muito dos armários-cápsula, comuns entre os minimalistas.

A Elsewhere foi criada pela Camille Rushanaedy, que tinha um blog de moda muito conhecido, o Childhood Flames. Nele ela compartilhava looks muito bonitos com peças baratas, de marcas comuns. O estilo dela sempre foi minimalista e elegante, mesmo em 2009, quando isso não era uma tendência ainda (um pouco de seus looks aqui). Dá pra perceber que ela levou essa característica pra marca.

Esses são uns dos requisitos essenciais dos minimalistas, que querem viver com o necessário sem deixar a beleza de lado. O armário cápsula é esse ideal, reunindo o mínimo de roupas essenciais, que combinem entre si e que sejam atemporais. Gosto de pensar que a limitação nos faz mais criativos. Além do mais, a filosofia da abundância não vai funcionar por muito tempo em nosso planeta, então é legal analisar essas outras possibilidades.

Também parece ser o ideal pra levar em uma viagem!

No catálogo da coleção a/w 2019 tem outras peças, mas aqui vão minhas favoritas.


Um body de Jersey, com malha super leve, que se molda ao corpo. Mangas compridas não muito coladas. A gola careca, sem decote, são super elegantes.
Uma saia midi, com um godê leve. É feita de um tecido próprio de alfaiataria, leve, com caimento super bonito, marcando a cintura. Tem bolsos!
Uma saia reta, de comprimento no joelho, com contraste na cintura.


Uma blusa azul marinho, com bolsos na frente, mangas compridas que mostram o pulso, e gola careca.
Uma T-shirt branca, de mangas curtas, com estampa de bamboo.
Uma calça capri preta, reta.

Os sapatos são: Mary Janes (esses são da marca francesa Lemaire, da ss2014) e Loafers.

As cores são escuras e no mesmo tom. O marrom e azul me lembraram antigas fardas de escola, um dos maiores looks práticos da história.

Um relato pessoal: Até um tempo eu usava farda todos os dias para ir ao trabalho e isso me poupava muito tempo de pensar no que vestir e de sair pra compar roupa. Ter um armário prático assim me ajudaria muito nessa transição para um estilo mais livre de fardas.

Fernanda Yamamoto | Verão 2012

A Yamamoto é uma das estilistas brasileiras que eu mais gosto. Ela sempre traz a cultura asiática para as coleções e em 2012 ela fez isso com a Hello Kitty (<3). O mais incrível foi ter unido algo tão pop com elementos naturais, que até hoje são traços fortes em suas criações. Tão pasmas quanto eu ficaram as pessoas na época, que não acreditavam que alguém conseguiria fazer da Hello Kitty algo fashion.

Vloggers are a girl's best friend

Vlogs representam, pra mim, umas das melhores expectativas que se tinham com a internet: que ela seria um espaço aberto para as pessoas comuns mostrarem quem são e conectá-las com gente dos locais mais distantes. São um meio para eu conhecer culturas diferentes e me relacionar com pessoas muito legais que eu jamais conheceria se não fosse na interwebs.

Meus favoritos são os daily vlogs, porque é como entrar na casa de alguém e passar o dia com uma pessoa, tipo um amigo. Aqui vai uma lista seleta dos meus vlogs favoritos.

Lia


A Lia está na internet desde os primórdios, na década de 90 (!). De lá pra cá ela conseguiu se dar muito bem nesse mundo de compartilhar a vida com muitos desconhecidos, ela é profissional nessa área, não tem ninguém tão antigo quanto ela que tenha se adaptado tão bem às mudanças na web. A habilidade dela pra conversar com as pessoas é incrível, ela sabe ser interessante.

Seus vídeos falam principalmente de maternidade e casa (pelo menos são meus temas favoritos). Eu nem sou mãe, mas a-m-o assistir os vídeos com o Fefê! A Lia é muito descolada e divertida, ela consegue tornar qualquer tema super legal.

Outros favoritos: Organização do closet | Finalmente temos fogão | Limpeza e eletrdomésticos novos

Frannerd


A Frannerd é uma ilustradora chilena que mora em Nova York. Ela é fofa, kawaii, simpática, criativa, animada, divertida, inteligente e tem um sotaque maravilhoso.

O canal dela é sobre ilustração, com vários vídeos dela pintando, testando meteriais diferentes e falando da realidade de alguém que vive disso. Mas não é só, tem vários vlogs dela andando em Nova York, da rotina em casa e outros temas que aparentemente não têm nada a ver com o tem central do canal, mas que são essenciais pra se conectar mais profundamente com a arte dela.

Sempre que vou arrumar alguma coisa que vai demorar, assisto os seus vídeos em sequência. É como ter uma companhia maravilhosa. Ah!!! e a qualidade dos vídeos são incríveis!! As músicas são sensacionais.

Outros favoritos: Showing you all my clothes + really old drawings | What I did for my birthdayMade a ZINE in 24 hours on RISO printing

Melina


A Melina também é uma blogueira antiga que consegue formar um universo mágico em seu quarto, fazendo os vídeos serem um quentinho pro coração. É o que ela sempre fala. Como alguém que praticamente não sai do quarto consegue fazer vídeos tão maravilhosos? Não sei, mas eu sou viciada.

A voz dela é um amor, ela fala sempre sussurrando. Tudo o que ela gosta é adorável e ainda tem o Spock, que é um cachorrinho com alma de gato. Tenho a sensação que estou sempre dentro daquele quarto, aconchegada, curtindo fofuras ao longo do dia.

Outros favoritos: A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões: Um livro pra incomodar | Dias de chuva, evento especial, chá, livros e The Body Shop

Essas três mulheres são adultas, mais velhas do que eu, e isso é importante de pontuar porque elas fazem vlogs de maneira mais racional, com pé no chão, fazendo uma curadoria legal do que querem mostrar. É certeza encontrar bom conteúdo e não se decepcionar.

Looks dos desfiles de alta costura de A/W 2019


Nesse mês acontecem os desfiles de Alta Costura em Paris, para o inverno de 2020. Espero um dia conseguir entender esse calendário. É provavelmente o evento mais luxuoso e importante do mundo da moda, onde só participam estilistas selecionados e sempre tem os convidados mais especiais.

No site da Vogue tem algumas fotos dos convidados mais conhecidos e quais designers eles escolheram para usar (link). É interessante ver as roupas das passarelas sendo usadas por pessoas "conhecidas" e como elas são reinterpretadas com o estilo de quem tá usando.

Das 32 fotos, três me chamaram atenção:

1 - Zendaya muito chic usando um clássico dos anos 80: meia preta. Esse look me lembra o auge do power dressing e da elegância das mulheres que queriam encontrar seu espaço no meio corporativo. Minha mente limitada achou que esse tipo de meia nunca voltaria a moda ou que nunca deixaria de ter a cara de aeromoça. Ignorância a minha... Amei o look.

2 - Isabelle Huppert fazendo Chanel parecer look de ir pra igreja. Na verdade acho incrível como as francesas conseguem usar grife como se fosse uma roupa comum, porque ela continua sendo um item que vai expressar o estilo da pessoa, ao invés de reproduzir o que o designer ou a marca representam. Achei muito chic e uma inspiração muito prática.

3 - Miss Fame de Iris Van Herpen. Sempre que vejo uma coleção fico tão impressionada que não consigo imaginar alguém vestindo algo tão fantástico na vida real, principalmente as roupas da Iris que são extremamente inovadoras, desafiando nossos conceitos de alta costura. Parece um look ideal pra uma drag, que amplia nossa percepção de beleza e extravagância. Ficou incrível.

Outros favoritos: Chimamanda Ngozi Adichie, que só veste estilista do seu país, Shailene Woodley com roupa da MyScene, Nikki Reed de cigarrete e boina, e Elisabeth Moss porque ela é a Elisabeth Moss.

Versus Primavera 2011


É sempre bom rever coleções antigas porque além de não ter data de validade, elas estão aí no mundo existindo para serem apreciadas e digeridas com carinho. Além do mais é a única coisa que a humanidade pode fazer é voltar ao passado. Essa coleção mesmo é a cara dos anos 90.

A coleção parece ser sobre pic-nic no parque, mas isso é óbvio. Queria poder ver além disso. A Tavi falou sobre a coleção (aqui) e disse que gostou das estampas, que pareciam meio irônicas e tinham school vibes.

Uma história que as roupas me fazem imaginar: alienígenas (não alienígenas estilo mib, alienígenas estilo que nossa mente não consegue imaginar) chegaram na terra e pararam direto no parquinho de uma escola do interior da Europa. Ficaram com a forma de modelos, porque é a melhor aparência pra se dar bem nesse planeta, e amarraram as toalhas das mesas e cortinas pra se vestirem.

Falando das cores e das estampas: Nem preciso dizer que AMO essa estampa de florzinhas, me lembra muito os vestidinhos de São João. A estampa xadrex também me lembram festa junina. Ah! e os últimos looks me lembram muito bandeirinhas. Ora ora... Quer dizer que é uma coleção de São João????!!!!!!

Zara Home em Bright Days


Essa é a casa de verão da Zara. Sei que a inspirção deve ter sido o México, mas gosto de pensar que é uma casa de interior. Ela é toda aberta e dá a sensação de que é um local que não tem ventos muito fortes, então dá pra imaginar uma brisa leve circulando pela casa toda.

"i want to dress like a scrapbook"

Um depoimento que mais parece um poema, que expressa exatamente o que eu penso em relação às roupas: elas são a extensão da nossa psique e não podem ser reduzidas a mero objeto de compra.

"I've been thinking about how i want to develop my style
I want my clothes to have a sort of deep, earthy feeling
casual and comfortable, colorful
strange
happy
warm

full of character

there are people who can dress in a certain way
that evokes a wave of emotions and memories and images all at once
this feeling, this quality surrounds them in a very natural way
as though the clothes they wear are simply an extension of who they are
nothing more, nothing less

a while ago i saw this boy
i couldn't identify a single label he was wearing
instead i saw and felt a collection of things
like
the wind, old curtains, sand, pearls, kaleidoscopes,
sailboats, treasure chests.....

it was very special
very inspiring
i appreciate people bringing something beautiful to the streets

my wardrobe right now is too coherent
too based on labels
lame
i want to collect different, more anonymous clothes
maybe i need to start going vintage shopping again
i want to dress like a scrapbook
"

Yui.

Vogue Brasil de abril

Sempre achei que a Vogue fosse a revista de gente rica que usa a moda pra manter o status. Ainda acho, ter lido a Elle durante anos me fez ter essa sensação. Então nunca comprei a Vogue. Comprei essa agora porque já fazia tempo que não pegava em algo atual pra ler, desde o fim da Elle. Me surpreendi, pelo menos nessa edição, é uma revista boa.

Não posso esquecer que a editora dela fez aquela festa de escravos e que todo ano faz aquele baile super racista, e isso me faz pensar que a enorme quantidade de modelos negras nos editoriais podem ser apropriação cultural. No entanto, a beleza das fotos é impressionante, são verdadeiras obras de arte.

Uma revista cheia de recursos consegue contratar os melhores profissionais, como os fotógrafos que eu vi no Fashion Click e amei. As fotos dos editoriais não parecem datadas, é como se fossem lindas pra sempre.

Gostei que os textos são muito bem escritos, são legais e não têm trocadilhos patéticos. Amei a sessão de arte e cultura, apresentando muitos temas da hora. Uma das minhas matérias favoritas é a da Valentino, com o Piccioli falando da beleza no Japão com um editorial impressionante.

Ah! Como não pegou a temporada de desfiles, não tem muitas matérias sobre tendências e isso é maravilhoso, porque fala-se mais de estilo. Não acho que o tema da edição tenha sido arte, mas gostei muito que em toda a revista tem conexões da moda com arte, arquitetura, cultura, sociedade etc. É isso o que mais amo na moda.

Surfando em ondas celestiais


Samba Love, de Hazel Cills

A melhor playlist de samba!!!! A Hazel Cills foi uma das contribuidoras da Rookie e ela gostava muito de fazer playlists com um estilo bem eclético. Vasculhando no Spotify achei essa playlist que ela disse que tem as músicas mais paradisíacas do mundo, juntando as clássicas brasileiras com músicas tropicais de outras bandas.

O resultado é genial! Acho que não existe playlist no mundo que misture Tom Jobim, Beck e Devendra Banhart. Tem também Yo La Tengo, Bebel Gilberto e Nouvelle Vague. Bossa Nova não é necessariamente um gênero musical, é um estado de espírito.

Acho muito bom ver estrangeiros falando da música brasileira com tanto entusiasmo e admiração, como se estivessem falando de algo mágico. A coisa mais comum no Brasil é ter pessoas criticando nossa cultura ou colocando nossa arte em nível inferior com relação a de outros países, então ver essa visão estrangeira e positiva me dá orgulho.

Essa playlist é boa pra dia de sol, para relaxar e até para dias de frio. Em qualquer clima, sempre aquece o coração.

Águas correndo na lua dentro de nós


Frankie, por Tavi Gevinson

Essa playlist mexe comigo. Desde que ouvi pela primeira vez não escuto outra coisa, já sei cantar tudo algumas músicas já são minhas favoritas para o resto da vida.

São músicas de amor, mas o amor no seu maior sentido possível. Elas despertam em mim essa sensação que não tem nome certo, que sinto pela Tavi, por exemplo. São músicas mágicas que nos levam pra dentro de algo profundo e infinito.

Tem duração de pouco mais de 1 hora e é ótima pra relaxar tomando banho, pra cozinhar, pra navegar na internet sem se perder, pra ouvir de bobeira, pra tocar no caminho, pra todo momento em que se precise ouvir algo legal. É uma viagem de uma hora, é isso que quero dizer.

Minhas super favoritas: I Just Wasn't Made For These Times, dos Beach Boys. One Step Ahed, da Aretha, que me da vontade de chorar... Que magica é essa, Aretha?? Quando escuto tenho certeza que sou a Julia Roberts na década de 90 no por-do-sol de ny. E, I'd Rather Go Blind, em que a voz é um instrumento tocado por anjos.

Foi por causa dessa playlist que conheci melhor o Frankie Ocean. Só isso já valeria a indicação.